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Autor:
Victorino Jacinto Carvalho
Nampula, 15 de Julho de 2017
A
má gerência do desenvolvimento da técnica e ciência como causa do desequilíbrio
ecológico: Um pensamento aproximado entre Severino E. Ngoenha, Hans Jonas e
Anthony Guiddes.
Trabalho
a ser apresentado no Departamento de Ambiente , nas jornadas científicas no
Curso de Geografia.
Universidade
Pedagógica
Nampula
2017
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Índice
Introdução
No
mundo hodierno, com a sociedade globalizado existe uma proliferação de problemas
como a défice de valores éticos-morais, perda de identidades, de culturas entre
outros problemas que afecta a sociedade na actualidade. O uso das tecnologias
no mundo aumentam cada vez mais, o mundo torna-se cada vez mais controlado
pelas tecnologias.
A
questão da globalização permite que os povos tenham a oportunidade de apreciar
outras culturas, experimentarem outras realidades, fazer intercâmbios de povo
para povo. Neste sentido, com a actual realidade da globalização, onde
praticamente todo o mundo esta interligado seja por médias ou ainda por meios
de troca de conhecimentos é óbvio que os problemas ambientais fazem com que
seja também globais.
Na
actualidade, um dos problemas que a sociedade enfrenta é o desequilíbrio ecológico que surge através da má gerência do uso da
técnica e ciência na natureza. Os problemas ambientais tornam-se cada vez mais elevados
e através da multiplicação das médias que permitem os homens viverem o que
acontece noutros países, também estes problemas tornam-se universais. Importa
salientar que a situação da globalização traz aspectos negativos e positivos,
sendo assim, nota-se uma má gerenciação da natureza.
É
nestes realidades que este trabalho tem como tema: A má gerência do desenvolvimento da técnica e ciência como causa do desequilíbrio
ecológico: Um pensamento aproximado entre Severino E. Ngoenha, Hans Jonas e
Anthony Guiddes. Com estes autores vamos procurar perceber as causas,
consequências e como minimizar os problemas ecológicos. Estes são um dos
autores que estão preocupados com as realidades que se vive na sociedade
contemporânea principalmente os problemas que o Homem provoca no seu habitat.
CAPITULO I: OS PROBLEMAS
ECOLÓGICOS.
Neste capitulo, vai se uma abordagem dos
grandes problemas ambientais do mundo, suas causas, consequências. Além destas
também vai procurar-se mostrar os problemas ecológicos que existem em
Moçambique. Antes de mais nada é necessário abordar o principal fenómeno que
faz com que estes problemas sejam universais (a globalização).
1.1.
A Globalização.
Ao falarmos da globalização remete-nos a
recorrer as várias transformações políticas, sociais, económicas que
aconteceram ao nível mundial. Segundo alguns relatos da história, o termo
globalização surge aproximadamente século XIX-XX, nos anos 90.
Existiram vários acontecimentos
que impulsionaram uma nova época da modernização que se caracteriza pelo
fenómeno da globalização. De acordo Campos & Canavezes (2007: 16):
Para alguns autores os primórdios da
Globalização remontam ao século XV (século que marca o início da expansão
ultramarina empreendida pelo mundo Ocidental, designadamente pelos portugueses
e espanhóis), e há mesmo quem relembre que muito antes deste período existiam
contactos comerciais entre povos e mesmo viagens intercontinentais (por exemplo,
já na Antiguidade os fenícios, grandes comerciantes e navegadores, percorriam
as terras do mediterrâneo desde a sua costa asiática e penetravam no Atlântico,
atingindo designadamente a costa ocidental portuguesa).
Umas
das primeiras tendências da globalização foram a grande expansão ultramarina
entre os portugueses e espanhóis; os grandes contactos comercias entre os
povos; as viagens comerciais que eram feitas de região em busca de troca de
produtos; as primeiras descobertas de navegações percorrendo as terras do
Mediterrâneo entre outros fenómenos.
O
mundo hodierno, a maior parte das economias mundiais parece centrar-se na
economia Ocidental através do desenvolvimento e da sua progressiva expansão. O
Ocidente passou a ser considerado o centro do mundo onde ela tem a capacidade
de controlar o mundo, expandir várias informações no mundo. Também uma das
grandes realidades que impulsionou o surgimento da globalização foi a Revolução
Industrial no século XVIII que segue-se com as grandes transformações da Revolução
Francesa em 1789, a criação dos primeiros computadores.
Estas
e mais outros acontecimentos que contribuíram bastante para que o fenómeno da
globalização surgisse e que nesta década fosse chamada da Modernização. Neste
sentido, a Globalização pode ser entendida como um processo de intercâmbio de
informação, economias, de conhecimentos, de comércio.
Para Ngoenha a modernidade
aparece como a manifestação de uma racionalidade generalizada, cujo resultado
poderia ser, de uma maneira definitiva, a destruição do mundo. Entre a ciência,
a técnica e a economia não existe hoje conflitos de valores. A ciência
encontra-se submetida às exigências técnicas, cujos produtos passam
necessariamente pela sua valorização através do mercado.
Segundo
Leff (1998:106) apud Caride & Meira (2001:47):
(…) A
globalização a aparece como a mudança histórica mais importante da ordem
mundial na transição para o terceiro milénio, num processo que tendem dissolver
as fronteiras nacionais, homogeneizando o mundo através a extensão de
racionalidades do mercado a todos os conflitos de orbe, de modo que as novas
estratégias do poder do capital na etapa da globalização ecológica não se
reduzem à exploração directa dos recursos, mais a uma recodificação do mundo,
de diferentes ordens de valor e de racionalidade, na forma abstracta de um
sistema generalizado de relações mercantis.
A
globalização surge numa tentativa de unificar o mundo ou o espaço geográfico
através do crescimento dos meios de comunicação e transportes; tornar o mundo
sem fronteiras, fazer com que todo o Homem tenha a oportunidade de apreciar o
que acontece noutras regiões. Entretanto, permitir a produção do capital e
facilitar as relações comerciais.
1.2.Alguns
problemas ambientais no mundo
Vários
podem ser motivos que fazem com que o Homem tenha ao provocar problemas no seu
habitat que por consequência provoca vários problemas como por exemplo, a
procura de sobrevivência, o consumismo, interesses particulares, a procura de
economia, entre outros.
O mundo tornou-se
único. As diferenças entre os países, homens, os problemas ambientais, as
relações mercantis, entre outros problemas aumentam cada vez mais. Diz Caride
& Meira (2001:47), uma das principais
ameaças que a globalização introduz na evolução da crise ambiental reside na generalização
de um modelo social que tem demonstrado grande capacidade de alteração e de degradação
dos equilíbrios ecológicos a nível local e global.
Muitos
países desenvolvimentos com um crescimento de económico são as que tem ajudado
a maioria dos países subdesenvolvidos. Assim com esta dependência permite a
facilitação para o desvio dos recursos para a conservação do meio ambiente, uma
vez satisfeitas as necessidades básicas. Esta lógica económica, permite
identificar a pobreza com a degradação ambiental e a riqueza com a prevenção do
meio. Desta forma, se contemplarmos no mundo sobre os aspectos que transbordam
as redes económicas, tecnológicas ou culturais, podemos notar vários problemas
ambientais na biosfera e a sóciosfera no seu conjunto e os relacionamentos às alterações
como o efeito de estufa, a degradação da camada de ozono estratorferica ou a introdução
de contaminantes químicos nas cadeias alimentares (Cfr. Caride & Meira,2001:49).
O
Homem sendo um elemento da natureza e através das tecnologias tem a tendência
de modificar os aspectos que ele acha que não estão bem, ou seja, tenta
apropriar-se da natureza para o seu conforto, prazer, segurança, interesses
particulares, entre outros. Neste sentido, Homem ao modificar a natureza se
esquece que ele é um elemento da natureza e consequentemente por má gerência
acaba criando vários problemas ecológicos como por exemplo a destruição dos ecossistemas,
as divisões sociais (entre raças, nações, Estados, e classes) e altera as
formas do desenvolvimento da natureza.
Há
vários problemas ambientais que resultam da actividade humana que tem ameado a
destruição das ecossistemas e a vida dos seres vivos. Segundo Caride &
Meira (2001:27-34), mostra alguns problemas ambientais que resultam das
actividades humanas tais como:
Ø Esgotamento
progressiva dos recursos não renováveis (principalmente minerais metálicos e
fontes de energia fossil) e a diminuição dos recursos renováveis, aos serem
explorados a um ritmo maior do que a sua taxa de renovação natural
(principalmente as massas florestais, os solos aptos para aproveitamento
agrícola, os bancos de pesca e as reservais de água potável) para responder às
necessidades produtivas e demográficas em contínua expansão;
Ø Ruptura
de ciclos bioquímicos e ecológicos afectados pelos impactos de contaminação do
solo, ar e massas de água (doce e salgada) provocado pelos resíduos associados
à actividade industria, à produção agrícola, à concentração da população em
grandes núcleos urbanos e aos outros energéticos dominantes;
Ø Perda
da biodiversidade específica e genética provocada pelo desflorestamento
intensiva das principais massas arbóreas do planeta, as selvas húmidas e os
bosques bóreas, monoculturas de variedades de plantas e animais mais rentáveis
para indústrias químicas e alimentares, reforçadas pelos padrões dominantes no comércio
internacional;
Ø Aumento
de desequilíbrio demográfico e da pressão ambiental que exerce o crescimento espontâneo
da população humana sobre mundo limitado ou mundo infinito.
Além
destas podemos encontrar outros problemas tais como o aquecimento global
provocado, a poluição sonora, entre outros problemas que o Homem provoca dentro
seu habitat.
Diante a estes e outros
problemas que a actividade humana causa na natureza, José Luís Zêrere (2016:9),
especialista na prevenção e estudos de factores ambientais de risco, apelava
numa dos eventos de aulas de sapiência de inauguração da UPN do ano de 2016 nos
Campus de Nacala – porto:
(…)
Para além da projecção do futuro quatro sombrio da humanidade, em 2015
ocorreram mais que 500 catástrofes naturais têm provocado em tudo o Mundo, numa
intervenção por imagens eloquentes da força destruidora das calamidades
naturais. (Zêrere, 2016:9).
A este fenómeno, para redução
dos riscos ou para a prevenção destes problemas que assola a população por tudo
o Mundo, Zêrere afirma que:
"Os
países devem adoptar um esquema conceptual de riscos, que desenvolvam e
otimizem as suas cartografias, em ganho económica de coerências. As
cartografias de susceptibilidade deve ser acompanhadas pela definição de usos
compatíveis, a inscrever em sede de regulamento de planos, para garantir a sua
plena eficácia. E no caso de incerteza da evolução futura de clima, deve
prevalecer a chamada regra de evitar riscos nos territórios perigosos não
ocupados por estruturas e infra-estruturas por razões de precaução, prevenção e
eficácia económica" (Idem)
CAPITULO II: A MÀ GERÊNCIA DO
DESENVOLVIMENTO DA TÉCNICA E CIÊNCIA COMO CAUSA DO DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO; UM
PENSAMENTO APROXIMADO ENTRE SEVERINO E. NGOENHA, HANS JONAS E ANTHONY GUIDDES.
Neste Capitulo, pretende-se fazer uma
abordagem da cosmovisão dos pensadores acima mencionados a cerca dos problemas
ambientais e as soluções que os autores trazem para minimizar os problemas que
ameaçam a vida dos seres vivos na natureza.
1.1.
Breve biografia de Severino Elias Ngoenha
Severino
Elias Ngoenha nasceu na província de Maputo em 1962. É um filosofo que possui
graduação em Teologia e Doutoramento em Universidade Gregoriana em Roma. No ano
de 2010, ingressou-se ao Departamento de filosofia da Universidade Pedagógica
de Moçambique. Actualmente é professor associado no Departamento de antropologia
e Sociologia da Universidade de Lausanne, Suíça. Os seus estudos baseia-se nas
área de Antropologia, pensamento africano, filosofia da educação e
interculturalidade (disponível:
http.//cpdoc.fgv.br/cintistassociais/severinongoenha. Acesso no dia 29 de Julho
de 2017 as 9:30 min).
A
obra intitulada “Retorno do bom Selvagem”
é uma obra que foi publicada em 1994. Esta obra, Ngoenha aborda numa perspectiva
africana a cerca dos problemas ecológicos que o Homem provoca no mundo cada vez
mais globalizado.
Numa
primeira fase desta obra o autor procura mostrar a natureza antes do
aparecimento do desenvolvimento da técnica e ciência e na era da modernidade, isto
é, divide a natureza em duas partes: a Primeira natureza e a segunda natureza.
1.1.1
A primeira Natureza
Esta
natureza é caracterizada como aquela em que o Homem vive em relação a sua
cultura; uma era antes do aparecimento do desenvolvimento da técnica e ciência.
A natureza é um espaço onde o Homem manifesta a sua cultura, respeita a sua
cultura, a natureza como a fonte do seu habitat e de toda seu viver; o Homem
não tinha visão sobre a tecnologia. Aqui o Homem entrava em contacto com os
seus antepassados; tinha o reconhecimento com o fenómeno sobre natural; a
pesca, a agricultura como fonte de alimentação era feita sem recursos das
tecnologias. O Homem tinham identidade na sua cultura primitiva e a sua
vivencia era norteado com a sua cultura primitiva.
1.1.2
A Segunda
Natureza
Ngoenha parte de ideia da
controvérsia entre Protágoras com Sócrates, no entanto Protágoras tinha o
objetivo de formar bons cidadãos, Sócrates preocupado quanto à verdadeira
possibilidade de ensinar a virtude. Assim encontramos varios animais na
natureza ums dados os instrumentos para a sua sobrevivencia, seu lugar para
viver e outros foram dados a razao.
Para dar mais valor ao Homem
que é dotado de razao, Ngoenha (1994:10), afirma que, não existe nenhuma sociedade, por mais pobre que seja, que não dê
grande valor às artes da civilização, cuja descoberta e uso, permitiram à
humanidade libertar-se da animalidade.
Importa salintar que os
filosofos da epoca moderna como no caso de Francis Bacon, Decascartes, e outros
tinham como proposito: O Homem com a sua
razao e com uso da tecnica e ciencia consiga fazer tudo o que ele amejar para a
sua propria sobrevivencia. Apesar da racionalidade que o Homem tem, a
ciência e a técnica não dão garantia do seu uso racional. A razão instrumental
do “homo faber” pode ser
terrivelmente irracional.[1]
Com o progresso cientifico e
a tecnologia moderna que, o homem atinge o grau de civilizações, rompeu este
equilíbrio, assim se libertando das forças da natureza. Mas ao mesmo tempo, não
está só a consumir o patrimônio natural a um ritmo vertiginoso, mas também está
a modificar de uma maneira irreversível a composição do ambiente. Nos países
tecnicamente avançados nesse caso é a se refere a segunda natureza, já não se
limita apenas a imitar a primeira natureza, constrói segundo as suas ideias a
fim de atingir os seus objetivos arbitrarias. A criação técnica já não rectifica
simplesmente as lacunas da primeira, mas substitui-se a ela, chegando mesmo a
construir segunda natureza oposta à primeira, que é única e só concebemos como
exclusiva, ao passo que as segundas naturezas que depende da capacidade
inventiva do homem, são muitas, diversas, quase ilimitadas; sucederam no tempo
e coexistem ainda hoje em diversas áreas culturais.
Ngoenha assevera que, a
razão tecnológica deve disciplinar-se. num regime condicionado pela primeira
natureza, o principio supremo da moralidade podia ser agit secundo natura, mas o que acontece é o contrário. Se na
primeira natureza o Homem é idêntico aos outros seres naturais, na segunda
afasta-se deles, ao mesmo tempo que se diferencia dos outros homens através de
uma cultura especifica.
1.1.3. Primeira Natureza e Segunda Natureza (Cultura).
Neste capitulo Ngoenha
resgata os dizer de Lév-Strauss para servir de base do seu aguento, que a
concepção que muitas sociedades primitivas têm de relação entre a natureza e a
cultura exprime também, algumas resistências ao desenvolvimento. Com efeito,
ela implica o reconhecimento de uma prioridade incondicional da natureza sobre
a cultura.
A natureza é pré-cultural e
sobre-cultural; mas é sobretudo o lugar no qual o homem pode esperar entrar em
contacto com os antepassados, os espíritos e os deuses. Existe, portanto, na
natureza um componente sobrenatural, e esta sobrenaturalidade está acima da
cultura. Assim, quando se trata do essencial, isto é, das relações do Homem com
o mundo sobrenatural, os produtos técnicos e os objetos manufaturados são
desvalorizados, assim resistindo as culturas primitivas do desenvolvimento.
Ngoenha sustenta que, as
sociedades modernas que estão a nascer, baseam-se, pelo contrário, na ciência e
na técnica; e nelas a questão natural substitui a questão social. Estas razões
fazem com que o problema social de hoje se tenha tornando em problemas
naturais. Por conseguinte, o problema capital é o lugar do Homem na natureza,
continuamente transformado pela sua pratica.
No Capitulo sobre: “Visão Africana da relação Natureza-Cultura”,
Ngoenha, mostra algumas ideologias de alguns antropologos que se preocupam
com a nova realidade na Africa como no caso de Michel Leiris, Lévi-Strauss, Balandier
e Senghor . Diz Senghor apud Ngoenha
(1994: 20):
O branco europeu, é o homem de vontade guerreira,
utiliza as coisas para os seus fins utilitários, o Africano é um homem da natureza. Vive tradicionalmente da terra, no
cosmo e através dele. É um ser sensual, um ser com os sentidos despertos,
sem intermediário entre o sujeito e objeto. Ainda Senghor suaviza, que que a
razão do negro não discursiva, é sintética; não é antagonista, é simpática. A razão negra não empobrece as coisas, não
as modela em esquemas rígidos, mas instala-se no coração vivo do real.Ao
passo a razão europeia é analítica para a utilização, a razão negra, intuitiva para a participação.
Assim, o Ocidente atraves do
seus poder, proliferou as suas ideologias, as tecnicas, ciencias, as
informacoes no mundo inteiro. O Homem na epoca da Modrnidade atraves do uso da
tecnica e ciencia tem a tentencia de modificar a natureza fazer consonte o seu
objectivo.
O projecto de libertação e
de auto-determinação do homem africano passara necessariamente pelo domínio da
ciência e da técnica. Foi certamente a falta destas que deixou a África à mercê
do imperialismo ocidental (Ngoenha, 1994:28).
Para Marcien Towa apud
Ngoenha (1994:28) adverte que a dominacao do africano: foi devido à nossa inferioridade técnica que a Europa nos subjugou. Por
isso, a necessidade de introduzir em África o segredo da victória europeia,
isto é, a ciência e a técnica.
NGOENHA (1994:39) afirma:
“Com o advento da técnica moderna, todas as obrigatoriedades tradicionais
destinadas a manter a sociedade desapareceram, e a sociedade não se desintegrou
e nem se quer se assistiu a uma sucessão de explosões sociais. Na realidade, as
regras sociais são ditadas hoje de uma forma diferente pela técnica”.
No fim desta obra, Ngoenha
traz um apelo aos africanos para que o eles a sabam gerenciar a propria
natureza, pois destruindo - a pomos em risco o nossa propria vida. Diz Ngoenha
(1994:128):
(…) o futuro da Africa depende do nosso nivel de
coesao, do nosso nivel de solidariedade. O fuuro da Africa depende da nossa
confianca reciproca, primeiro entre as etnias eas culturas que compoem o que
hoje são os estados, e depois da solidariedade entre os estados de uma mesma
religiaos, enfim do continente no seu conjunto. Se não formos capazes num
futuro proximo de impor uma vontade africana e na economia africana, é melhor
que nos preparemos para voltarmos a ser “Bons Selvagens” e ter os nossos
“tarzans”. As escolhas que temos diante dos olhos são simplis na sua
dramaticidade e na sua incondicionalidade: “Uniao
ou Morte”.
Assim,
o autor adverte que temos que ter a responsabilidade desde já em sabermos usar
a técnica e a ciência para que possamos preservar a nossa ecologia porque se
ainda permanecermos assim o mundo a ecologia vai se degradando, perderemos os
nossos valores e cultura. Apesar do mundo estar cada vez mais globalizados e os
interesses dos homens sempre aumentam é preciso sabermos racionalizar as nossas
actividades na natureza, mas, para tal, é preciso que estejamos unidos para
termos um futuro melhor.
2.
Biografia
de Hans Jonas
Hans
Jonas é um filósofo alemão que viveu no período entre 1903 à 1993. Suas
reflexões baseiam essencialmente nos perigos das tecnologias no mundo moderno e
outras, mas a sua maior atenção esta virada a ameaça que a as tecnologias
trazem nos seres humanos.
Na
sua obra “o Principio de
Responsabilidade” publicada em 1979, o autor procura mostrar a
responsabilidade de elaborar uma nova ética para preservar a existência do
futuro ser humano, as atitudes voluntárias do Homem ou as actividades do Homem
devem ter em vista um futuro melhor (Cfr. Ibidem).
Nesta
obra o autor propõe uma nova visão do Homem procurando trazer uma nova ética.
Mas, fazendo uma reflexão profunda verifica-se que ele nos mostra uma nova
visão sobre a ética Kantiana é uma ética instrumentalista (industrial) que tem
como finalidade o presente. Desta forma, Jonas substitui o imperativo
categórico Kantiano: “age de tal maneira
que o princípio da sua acção se transforme numa lei universal”, propondo um
novo imperativo: “age de tal maneira que
os efeitos da sua acção sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana
autentica”, ou seja“ não ponhas em
perigo a continuidade indefinida na terra”.
Ao
formular assim esta proposta preocupa-se com a Ecologia com o medo que um dia
venha ser destruído com o mundo as tecnologias. Por isso, a ética da
responsabilidade mostra o respeito a dignidade humana e seres vivos, não só a
prevenção do meio ambiente e que as acções dos homens na actualidade devem
levar em conta com as gerações vindouras.
O autor nesta obra numa primeira instância
aborda sobre o Saber ideal e saber real
na ética do futuro. Neste Capitulo, fala sobre princípios para questões de princípios, procurando mostrar os
princípios morais e as responsabilidades que o Homem tem nas suas acções.
O saber ideal e saber real
esta intrinsecamente ligado a conduta humana. Os princípios da ética e da moral
nos leva por natureza algumas reflexões, responsabilidades, tais como:
Ø Todo
Homem toda sua conduta deve partir da consciencialização das normais e estar
consciente que tudo o que ele faz tem consequências para si e para a geração
vindoura;
Ø Todo Homem em qualquer acção que for a fazer
deve ser responsável dos seus actos, isto é, responsabilidade individual.
No
segundo ponto, o autor fala “Ciência
factual dos efeitos distantes da acção técnica”. Aqui, o autor faz uma
grande reflexão sobre uma grande responsabilidade que o ser humano deve ter na
natureza sabendo estar, fazer, tendo em conta o saber real, eventual, o que se
deve evitar na própria natureza. Assim, relaciona-se como o pensamento de
Ngoenha o de ter uma responsabilidade deste já para garantir um boa vivencia da
geração vindoura.
No que diz respeito no
Capitulo 2 sobre “contribuição dessa
ciência ao saber dos princípios: a heurística do medo”. Suscita em primeiro
lugar, que a ciência e a técnica nunca foram destruidoras, mas sim a forma como
elas são usadas pelos homens. Assim afirma Jonas apud Durozoi & Roussel
(2000: 220):
(…)
A responsabilidade de elaboração de uma nova ética, para preservar a existência
futura do ser humano, e evitar a apocalipse, é conveniente neutralizar o homem
prometeico e adoptar uma atitude voluntária voltado para o futuro, ao contrario
da ética clássica (ética kantiana) preocupada em agora. Não comprometas as
condições de sobrevivência indefinida da humanidade na terra, tal é, a máxima
em que se apoia todo o agir responsável de que os deveres para com os seus
filhos constituem “o arquétipo”.
Eis
aqui a contribuição que o autor traz em relação a responsabilidade que o Homem
deve ter em relação as suas actividades na natureza. O autor abordando sobre “As insegurança das projecções futuras”
olha que a nossa confiabilidade da tecnologia põe em causa o princípio dever, o
de pensar. O homem está submisso a ciência de tal maneira que a sua capacidade
reflexiva tornou-se corrompida. Verifica-se neste caso que a insegurança está
presente na medida em que há total repositório na credibilidade do conhecimento
científico. Por isso, mesmo que haja um prognóstico a longo prazo, ela sempre
será impedida pelo avanço tecnológico. Com este ponto recorda-se de Lyotard na
sua obra condição da pós-modernidade quando aborda as questões referentes ao
projecto da modernidade pelo seu carácter de superioridade a ponto de excluir
outros saberes que por sua vez também são valorativos e que traz o bem para a
sociedade sem ter as consequências nefastas. Assim diz Jonas
Em todo a caso,
a extrapolação requerida exige um grau de ciência maior do que o já existente
no estrapolandum tecnológico, e,
considerado que este representa a cada vez optionum
da ciência existente, o saber exigido sempre é necessariamente um saber ainda
não disponível no momento e jamais disponível como conhecimento prévio, (Cfr.
JONAS, 2006:76)
Com
isso Jonas quer nos mostrar um caminho seguro que vai servir de guia para as
futuras gerações tenham uma vida mais humanizada.
3.
Biografia
de Anthony Guiddens
Anthony
Guiddens foi um dos filósofos que procurou conciliar a globalização com a
modernidade. É também considerado como um dos críticos das ideologias da época
moderna e preocupado com as realidades que a globalização, olha esta como um
fenómeno que permite o cruzamento das culturas, ideais, comércios entre outros.
Segundo
PIERSON (2000:28), Anthony Giddens, nasceu a 18 de Janeiro de 1938 em Edmonton, na parte
norte de Londres. Edmonton na altura, era e ainda é, um bairro pobre e
incaracterístico, com poucos pontos de referência.
3.1
Algumas metamorfoses da globalização no mundo.
A globalização além de trazer aspectos
positivos, também traz aspectos negativos. Guiddens em torno das suas reflexões
em relação a epoca moderna adverte que a modernidade traz um perigo para as
pessoas, cria incertezas futurais, permite trazer o futuro para o presente,
aquilo que deveria acontecer daqui a por exemplo a vinte anos é trazido para o
presente. Esta situcao para a sociedade mais desenvolvido isto pode não ser
verdade.
Esta realidade
transforma nas sociedades várias dimensões como politica, económica, cultural e
social. Como diz FUKUYAMA (1992:27)
“O projecto moderno, no século XIX foi marcado
pelo optimismo em relação ao futuro, um futuro que parecia promissor. Em contrate
o século XX foi um século de guerras sangrentas (amaça de confrontos nucleares)
e conflitos prolongados.”
Verifica-se
que existe vários problemas como as guerras políticos, crise de legitimação dos
estados modernos, a degradação das culturas, a degradação das personalidades
humanas. Para a modernidade, tudo novo constitui um sinal do progresso, olha
que o homem com a técnica poderá criar novos conhecimentos, transformar a
natureza. Nesta linha encontramos alguns filósofos que procuram críticas estas premissas
da modernidade como no caso de Jean F. Lyotard, Jurgen Habermas, entre outros.
Na
óptica de SANTOS (2000:23), “Basta rever até que ponto as grandes promessas da
modernidade permanecem incumpridas ou o seu cumprimento redundou em efeitos
perversos”.
Este
pensador procura mostrar algumas falsas promessas que a modernidade almejava em
alcançar. O projecto da modernidade encontramos algumas falhas como por
exemplo:
Ø A promessa da igualdade:
os países capitalistas avançados, controlam a maior parte da produção mundial
de bens e serviços e consomem também a maior parte de toda a energia produzida.
A distância entre países ricos e pobres no mesmo país não tem cessado de
aumentar;
Ø A promessa da liberdade:
as violações dos direitos humanos em países vivendo formalmente em paz e
democracia assumem proporções avassaladoras. No que respeita a promessa da paz,
enquanto em muitos países do mundo estão em guerra (luta pelo poder);
Ø A promessa da dominação da natureza:
e do seu uso para o benefício comum da humanidade, conduziu a uma exploração
excessiva e despreocupada dos recursos naturais, à catástrofe ecológica, à
ameaça nuclear, à destruição da camada de ozono, e a emergência da
biotecnologia, da energia genética e da consequente conversão do corpo em
mercadoria última. E nisso, a promessa da dominação da natureza foi cumprida de
modo perverso sob a forma de destruição da natureza e da crise ecológica. Um
exemplo concreto da crise ecológica é a massiva destruição de florestas a nível
do mundo;
Ø A promessa de uma paz perpétua:
baseada no comércio, na racionalização científica dos processos de decisão e
das instituições, levou ao desenvolvimento da guerra e ao aumento sem precedentes
do seu poder destrutivo;
Ø A promessa de uma sociedade mais
justa e livre: assente na criação de riqueza tornada possível
pela conversão da ciência em força produtiva, conduziu à espoliação do chamado
terceiro mundo e um abismo cada vez mais maior entre as nações continentais.
Isto quer dizer que os países mais desenvolvidos continuam a subir a
percentagem dos socialmente excluídos (Ibidem)
Anthony
Guiddens na sua obra intitulada” Consequências
da Modernidade” procura evidências aspectos que a modernidade traz em
relação ao Homem, as mudanças sociais, politicas, económicos entre outros.
O
mundo em que vivemos não se parece muito com aquele que foi previsto, nem o
vemos como tal. Em vez de estar cada vez mais dominado por nós, parece
totalmente descontrolado, um mundo virado ao avesso (BOYTON
apud GIDDENS 2001:16).
Mais
em diante o autor insiste afirmando “a
modernidade é bifacetada por um lado uma época de oportunidades acrescidas para
os seres humanos, por outro lado, um mundo assustador e perigoso marcado pela
incerteza e pelo risco” (Ibidem).
Diante
a modernidade podemos ver que existem varas oportunidade ou a esta cria
oportunidades do Homem poder experimentar varias realidades, viver outras
culturas, trazer novos estilos de vida, mas por outro lado, nota-se a mesma
Modernidade traz aspectos negativos como o caso do desaparecimento dos valores,
falta de legitimidade dos estados modernos, o capitalismo, etc.
Os
Vários filósofos que procuram reflectir o projecto da modernidade, os chamados pós-modernos
como no caso de Habermas e outros afirmam que esta projecto ainda não alcançou
aquilo que almejava, isto é, alcançar a felicidade do Homem e o bem-estar. Por
sua vez Giddens preocupado vai afirmar
Em vez de estarmos entrando num período
de pós-modernidade, estamos alcançando um período em que as consequências da
modernidade estão se tornando mais radicalizadas e universalizadas do que antes
(...) Não vivemos ainda um universo social pós-moderno, mas podemos ver mais do
que uns poucos relances de emergência de novos modos de vida e organização
social (GIDDENS, 1991:13)
Reflectindo
sobre as tradições da época moderna o autor argumenta que “Nas sociedades
modernas a identidade torna-se uma questão substancial. Mesmo aqueles que dizem
nunca ter se preocupado ou questionado a própria identidade, têm sido obrigados
a fazer escolhas importantes ao longo das suas vidas, a partir de questões
sobre o quotidiano, a religião, as crenças, as tradições, a aparência, os
relacionamentos e profissões” (Ibidem).
3.2 O desequilíbrio ecológico
Este
autor além de reflectir doutras realidades que a própria modernidade traz,
também esta preocupado com a questão da ecologia que hoje torna-se um doa
problemas que assola a sociedade moderna.
Na perspectiva de GIDDENS (2005:121),
“Os avanços técnicos afectam a nossa própria aparência física como seres
humanos, bem como o ambiente natural em que vivemos. A preocupação com os danos
ambientais e hoje generalizada e um foco de atenção por parte de governos de
todo mundo”.
As
grandes regiões onde as guerras são mais frequentes contribuem muito para a
catástrofes naturais como no caso da Rússia, entras régios que fazerem
experiencias de explosivos, bombas atómicas, guerras frequentes permitem que
várias catástrofes aconteçam no mundo. Além disto podemos encontrar as grandes
aparelhagens que são feitas com um som bem qualificados permitem o aumento da
poluição sonora.
“Uma
vez que as questões ecológicas de maiores consequências são evidentemente
globais, as formas de intervenção para minimizar os riscos ambientais deverão
necessariamente ter base planetária. Poderia criar-se um sistema global de
preservação planetária, que teria como objectivo a preservação do bem-estar
ecológico do mundo como um todo” (Ibidem).
Guiddens
preocupado com esta realidade incentiva que para minimizar essa situação deve
se criar vários mecanismos de modo que esta situação não possa ser alastrando
cada vez mais e que o desenvolvimento da industria suscita também o
capitalismo. Todavia, é necessário a
criação de varias ideologias para que estes problemas ambientais possa ser
minimizado e que a ecologia possa ser conservada.
Conclusão
Diante a estes problemas que o Homem provoca
nas suas actividades na natureza, os autores em destaque remete-nos uma mudança
de mentalidade no uso racional das técnicas. A globalização apesar de trazer
aspectos positivos, por outro lado traz as negativas, razão pela qual o Homem
na tentativa de experimentar ou aplicar a técnica no seu habitat provoca
problemas.
Tanto
Ngoenha, Jonas, Guiddens estão preocupados com o futuro do Homem, da Natureza e
dos seres vivos porque verifica-se que no mundo hodierno o Homem esta preocupado
e mostrar as suas capacidades cognitivas diante a técnica. Todavia, com o
cenário da globalização facilita a circulação de informações permitindo varias
sociedades experimentem as tais realidades o que torna os problemas seres cada
vez mais mundiais.
Ngoenha
adverte que a nossa responsabilidade diante a natureza deve começar deste já para
que possamos ter um futuro melhor, mas para tal temos que estar unidos porque
se continuarmos; ao passo que Jonas vem afirmar que diante a estas realidades
que ameaçam a destruição da natureza, nos temos que ter a responsabilidade de
racionalizarmos as nossas actividade de modo a minimizar os problemas
ambientais e garantirmos um futuro melhor para a geração vindoura e por outro
lado, Guiddens em apelar que os problemas que acontecem na actualidade são as
consequências da modernidade e para a minimização destes problemas ambientais
deve se criar estratégias favoráveis de modo a minimizar a estes problemas como
por exemplo os grandes países que fazem experiencias de bombas atómicas, de
guerras deve se diminuir para evitar os catástrofes naturais.
Nem
todo que o Homem inventa traz aspectos positivos. É preciso saber analisar as
ideologias da globalização porque muitos homens em varias sociedades perdem os
seus valores, sua identidade, provocam os problemas no seu habitat, por isso
como diz Kant “Age de tal forma de modo
que a sua acção seja uma lei universal”, ou seja, a minha acção na natureza
devem garantir um futuro melhor e que os outros possam ser dela como um bom
exemplo. se não fazermos a consciencialização das nossas acções na natureza
como diz Ngoenha “ou nos unimos ou vamos
morrendo pouco a pouco e destruindo a nossa natureza”.
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[1] O Homo Faber segundo Durozoi & Roussel (2000:192),
quer dizer “Homem produtor de utensilio”,
formula utilizado por Bergson para designar a essencia do Homem que antes de
pensar ser o Homo Sapiens, foi feito
para “produzir coisas e
produzir-se a ele proprio”.
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